4 de ago de 2010

Tempo

O tempo, tão radical

Tão existente

Mas não preenche

o que se tem para dar.

O tempo, satisfatório,

Mas tão compulsório

Que tempo não há.

O tempo, existe,

Porém desiste

De nos ajudar.

O tempo, tão confortante,

Mas tão estressante,

Que tempo não há.

O tempo tão desgastante,

Alucinante,

Que de mim não pode tirar,

O que tenho pra amar.

O tempo, tão insultante,

Tão ultrajante

Que nada mais há.

O tempo,

Tão impossível,

Imprevisível.

Igual a mim será.


by Dahra

31 de mai de 2010

Fúlgidas Alvuras de Amor

A volúpia do nosso amor

Corre em minhas veias.

Tu tornas meu corpo flébil

Inefavelmente radiante.

Essa felicidade que escorre

Por meus olhos, mádida como

Um rio deságua endênico em nossos

Corpos, arais sutis, mórbidos

Que encerram minha lástima dando

Vida à chama ideal de todos os mistérios.

Ao fim de nossa purpural dança,

O ocaso atroz em sua mudez sórdida,

Como a fel de um vulcão, esboroado

De prazer, como um nirvana,

Engole meu caos e torna meu inferno

E meu céu, simplesmente turbilhões de mar.

O elo entre minha lua e meu sol

Se esvai como névoa na noite finita,

Deixando seu toque doce ainda pendendo

Em meu zeloso ser.

Dilacerados, meus músculos,

Como heliotropos em busca de sol,

Agonizam em busca lúgubre, ebúrnia e hialina,

Ao seu ser. O arrebol de minhas faces trêmulas

Faz refulgir teu riso, em meu sonho infinito, glorioso e eterno.


by Binchs e Driko

Verde-amarelismo

Calçadas enfeitadas, asfalto colorido e almas pintadas. Todos pela mesma tinta, pelo mesmo espírito verde amarelo. A união de toda uma nação como uma família, dividindo todas as felicidades e angústias.

Assim estávamos, nós brasileiros, com os nervos à flor da pele e o coração na boca naquela final da Copa do Mundo. A cidade estava em silêncio. Não se ouviam carros e o movimento na rua era nulo. Apenas gritos de apaixonados pelas jogadas ressoavam por entre os prédios e ecoavam de uma forma a criar a impressão de que até a própria cidade, formada por seu denso concreto, confraternizava o sentimento de seus habitantes.

Aquele período de tensão constituído por longos noventa minutos chegava ao fim. Mas nada de uma explosão de alegria, nada de o chão tremer e o silêncio ser destruído.

De repente, a bola balançou a rede e o silêncio se tornou ainda maior. Tudo se tornou cinza. As calçadas perderam seus enfeites e o asfalto suas cores. Só as almas continuavam verdes, verdes como a mais pura esperança. Infelizmente não houve retorno.

Naquele ano de 2006 a nação alegre e batalhadora havia sido derrotada e a tristeza reinou por algum tempo, pelo menos até que a tinta verde e amarela recobrasse sua cor no meu coração e no de toda a nação.


by Driko

Primeiríssima

Mensalão no meio do caminho


Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Nunca vou esquecer quando meu olhos fatigados
[que não recebem tratamento porque a porcaria da previdência social
desse país não enche nem o bolso de um velho seco e o inútil do SUS não
cobre a operação da catarata]

Conseguiram ver pelo menos a inconveniente da pedra no meio do caminho

by Driko, Téphani, Binchs e Danayh